Uma bolsa de sangue raro coletada no Ceará cruzou o país em um voo comercial para atender um paciente em estado grave internado em Juiz de Fora, em Minas Gerais. O transporte foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em parceria com companhias aéreas e é o segundo desse tipo feito na cabine de uma aeronave comercial.
O material saiu do Ceará na quinta-feira, 9 de outubro, e chegou a Minas Gerais nesta sexta-feira, 10. A estratégia permite reduzir o tempo de deslocamento de bolsas raras e segue um modelo semelhante ao já utilizado no transporte de órgãos destinados a transplantes.
Paciente precisava de sangue difícil de encontrar
O paciente passou por um transplante renal e, durante os testes realizados antes da transfusão, foi identificada a presença do anticorpo anti-Jsb. Essa característica dificultou a localização de uma bolsa compatível.
A rede de hemoterapia acionou então o Cadastro Nacional de Sangue Raro, que permitiu localizar um doador no Ceará. O doador compareceu ao hemocentro e a bolsa foi coletada e liberada para transporte.
Bolsa viajou na cabine do avião
O sangue foi acondicionado em embalagem apropriada e com controle rigoroso de temperatura. Em vez de seguir como carga convencional, a bolsa foi transportada gratuitamente na cabine de uma aeronave comercial.
Segundo o Ministério da Saúde, a mudança permite mais agilidade, inclusive em operações realizadas à noite, nos fins de semana e em feriados. O transporte envolve o Sistema Nacional de Transplantes, a área de Sangue e Hemoderivados do Ministério, a Agência Nacional de Aviação Civil e companhias aéreas brasileiras.
O que é considerado sangue raro
Além dos sistemas ABO e Rh, as hemácias possuem diversos outros antígenos. Um perfil sanguíneo é considerado raro quando ocorre em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Nessas situações, localizar uma unidade compatível pode exigir buscas em outros estados.
Exames de fenotipagem e genotipagem ajudam a identificar características específicas do sangue de pacientes e doadores e tornam possível encontrar unidades compatíveis para transfusões complexas.
Cadastro reúne mais de 2 mil doadores
Criado em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro reúne atualmente 2.032 doadores e já ajudou no atendimento de mais de 300 pacientes. Quando um hemocentro não encontra uma bolsa compatível no próprio estado, o cadastro pode ser acionado para localizar doadores em outras regiões.
O primeiro transporte gratuito de sangue raro na cabine de um voo comercial ocorreu em setembro, de São Paulo para o Piauí. O Ministério da Saúde também prevê ampliar a identificação de doadores raros, estruturar laboratórios de referência e implantar o congelamento de bolsas, que pode permitir armazenamento por até dez anos.




