A China passa a aplicar nesta quinta-feira (1º) uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que exceder a cota anual estabelecida para 2026. O limite destinado ao Brasil é de 1,106 milhão de toneladas e faz parte de uma medida de salvaguarda adotada pelo governo chinês para as importações do produto.
A cobrança adicional não incide sobre toda a carne bovina brasileira vendida ao mercado chinês. Dentro da cota, permanece a tarifa regular de importação de 12%. O adicional de 55% alcança apenas o volume que ultrapassar o limite definido para o país.
Brasil recebeu a maior cota entre os fornecedores
O Ministério da Agricultura e Pecuária já havia esclarecido que o Brasil recebeu a maior cota entre os países exportadores abrangidos pela salvaguarda chinesa. A medida não foi criada especificamente contra o produto brasileiro: o mecanismo estabelece quantidades por país e prevê cobrança adicional sobre importações que excedam os respectivos limites.
A salvaguarda começou em janeiro de 2026 e tem duração prevista até o fim de 2028, com ampliação gradual das cotas durante o período. O Ministério do Comércio da China informou que a cota brasileira atingiu 100% no fim de setembro. Em julho, dados oficiais apontavam utilização próxima de 80% do limite.
Tarifa muda condições para novas operações
Com o esgotamento da cota, novas entradas de carne bovina brasileira acima do limite passam a enfrentar custo tarifário significativamente maior. Isso altera as condições comerciais para exportadores e importadores que pretendam realizar operações adicionais durante o restante de 2026.
A tarifa regular de 12% continua valendo para o volume enquadrado na cota. Já a parcela excedente recebe os 55 pontos percentuais adicionais previstos pela salvaguarda. A medida abrange diferentes apresentações de carne bovina, incluindo produtos frescos, refrigerados e congelados.
China tem peso relevante para a carne brasileira
O mercado chinês ocupa posição central nas exportações brasileiras de carne bovina. A velocidade com que a cota foi utilizada ao longo de 2026 reflete a importância desse destino para os frigoríficos e para a cadeia pecuária nacional.
Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento indicam que, apesar do encerramento da cota chinesa, as exportações brasileiras de carne bovina devem alcançar cerca de 4,73 milhões de toneladas em 2026, crescimento projetado de 4,46% em relação ao ano anterior. Para 2027, a estimativa da companhia é de aproximadamente 4,84 milhões de toneladas exportadas.
A mudança no acesso ao mercado chinês pode estimular ajustes nos fluxos comerciais e maior busca por outros compradores, especialmente enquanto o volume excedente estiver sujeito à tarifa adicional.
Salvaguarda segue até 2028
Segundo a decisão do Ministério do Comércio chinês, a salvaguarda permanecerá em vigor por três anos, de 2026 a 2028. O mecanismo prevê flexibilização gradual dos limites ao longo desse período.
Para o setor brasileiro, o cenário passa a depender do ritmo dos embarques, da capacidade de redirecionar parte da produção para outros mercados e de eventuais negociações comerciais com a China. O governo brasileiro já vinha acompanhando a evolução da cota e os efeitos da medida sobre as exportações.






