Profissionais e gestores da Atenção Primária à Saúde já podem acessar gratuitamente uma nova estratégia de formação para o uso dos equipamentos que estão chegando às Unidades Básicas de Saúde (UBS). A iniciativa reúne cursos autoinstrucionais e materiais técnicos destinados a apoiar a incorporação dos novos recursos à rotina das equipes do SUS.
A formação foi divulgada nesta sexta-feira (2) pela Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) e é desenvolvida pelo Ministério da Saúde em parceria com instituições de ensino. O foco está no chamado Combo APS, conjunto padronizado de 17 ou 18 equipamentos destinado a ampliar a capacidade de diagnóstico, acompanhamento, atendimento de urgências e reabilitação na atenção primária.
Cinco cursos já estão disponíveis
A primeira oferta reúne cinco cursos com carga horária de 10 horas cada. Os conteúdos iniciais tratam da incorporação de tecnologia biofotônica ao trabalho na Atenção Primária à Saúde e são destinados a profissionais como fisioterapeutas, médicos, fonoaudiólogos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas.
A estratégia foi dividida em dois eixos. Um deles concentra cursos para equipamentos que exigem maior conhecimento de operação e interpretação clínica. O outro reúne materiais de apoio, como guias práticos, procedimentos operacionais e manuais técnicos. Novos conteúdos devem ser adicionados progressivamente à plataforma.
Combo reúne equipamentos de diagnóstico e reabilitação
Entre os recursos previstos para as UBS estão dermatoscópio, doppler vascular portátil, eletrocardiógrafo digital, espirômetro, retinógrafo portátil, desfibrilador externo automático, eletrocautério, laser terapêutico, equipamentos de eletroterapia, dinamômetro, otoscópio e câmara fria para vacinas.
As unidades que contam com residência em Medicina de Família e Comunidade e as UBS fluviais também podem receber ultrassom portátil de bolso, elevando o conjunto para 18 itens. A composição foi definida nacionalmente para manter um padrão de oferta e ampliar a capacidade das equipes de resolver demandas ainda na atenção básica.
Objetivo é reduzir encaminhamentos desnecessários
O Ministério da Saúde prevê que os equipamentos ajudem as equipes no diagnóstico precoce e no acompanhamento de condições frequentes, como diabetes, hipertensão, doenças respiratórias crônicas, alterações oftalmológicas, lesões dermatológicas, dor crônica e problemas musculoesqueléticos.
Na prática, a disponibilidade de determinados exames e recursos dentro da própria UBS pode reduzir encaminhamentos que hoje dependem de outros serviços. Um doppler vascular, por exemplo, permite avaliar o fluxo sanguíneo; o retinógrafo portátil amplia a possibilidade de avaliação ocular; e o eletrocardiógrafo pode apoiar a investigação de alterações cardíacas. Equipamentos de fisioterapia e reabilitação ampliam as opções de cuidado para dor e limitações funcionais.
Distribuição alcança municípios de todo o país
Os equipamentos são destinados a UBS localizadas em municípios que aderiram à iniciativa e concluíram a formalização necessária. Segundo as informações oficiais do programa, 5.093 municípios concluíram esse processo, o equivalente a 99,4% dos entes que haviam sido habilitados.
A aquisição é centralizada pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), e as entregas são realizadas gradualmente. Cada unidade indicada recebe um combo, enquanto a quantidade destinada a cada município considera fatores como população, vulnerabilidade social e estrutura das equipes de saúde.
A capacitação passa a ser uma etapa importante desse processo: além de colocar novos aparelhos nas unidades, a estratégia busca preparar os profissionais para integrar as tecnologias aos fluxos de atendimento, à Telessaúde e à Rede de Atenção à Saúde. Os cursos e materiais orientativos ficam disponíveis gratuitamente na plataforma da UNA-SUS.





